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Eu afirmo, pouco sei, mas tenho vontade de aprender, melhorar, aperfeiçoar, EXPRESSAR… tenho ativado essa curiosidade por outros caminhos e diferentes reflexões… e no pouco que tenho participado em manifestações, discussão de outras ideias, algumas pessoas me perguntam “Por que?” – “Pra que”… “Deixa como esta” – “Para que tentar modificar” e isso em intriga, mas lembro que já fui assim também.

Hoje fui tentar encontrar uma nova amiga numa das atividades promovidas pelo Occupy Wall Street Summer Disobedience School-, e dentre as atividades estava : Poesia e Sensibilidade Politica – “Poetry and Political Feeling” o que me tocou e fui , mesmo com vergonha ( o sotaque e inglês as vezes em inibem) participar.

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Dialogamos nos gramados do Bryant Park sobre o texto de Pablo Neruda – Explico Algumas Coisas

Para mim o texto caiu como um luva, não só pelas ardentes emoções que me cerca as vezes quando parece que muitos não vêem ou não querem enxergar o outro mundo que existe, a “cruel realidade”: como por ex. que nossa economia global ‘e precária e quantos estão sofrendo com isso. Mas por me confortar em re-lembrar que não ‘e de hoje  (claro) que esse tormento dentro de nos mesmos, essa inquietação interior, em não se calar mais e reagir  ao que esta acontecendo. Que este descobrimento sobre : sim podemos mudar nossa forma de pensar e englobar, agregar assuntos mais profundos no nosso dia a dia, fazem parte do amadurecimento humano.

Contemplar as belezas do mundo e dialogar, querer mudar  questões que se apresentam aos nossos olhos e MAIS DO QUE TUDO AOS NOSSOS CORACOES, não deveria ser encarado como ambiguidades, algo que não possa ser feito… Ou você ‘e aquilo ou isso: Quero ser tudo!!

No mesmo dia de hoje, estava também lendo um livro do Luis Fernando Verissimo Em Algum Lugar do Paraiso , e num dos textos hilários estava essa frase com a qual também me identifiquei, embora do lado do personagem a interpretação seja diferente:

“Porque ela também se revelou. Ela era ela e era outras.” Image

Segue o texto abaixo em Portugues e Ingles, e depois vou colocar um outro post com fotos da Espanha, da minha viagem do ano passado, o qual li vários dizeres com os quais me identifiquei e fotografei, sem saber o que faria com isso depois… 🙂

“Explico algumas coisas” – “I Explain a Few Things” by Pablo Neruda @ Bryant Park, NY.

Explico algumas coisas

Pablo Neruda

“Perguntam-me: onde estão os lírios?

E a metafísica coberta de papoulas?

E a chuva que muitas vezes golpeava

suas palavras enchendo-as

de frestas e pássaros?

Vou lhes contar tudo o que me passa..

Eu vivia num bairro

de Madrid, com campanários,

com relógios, com árvores.

Dali se via

o rosto seco de Castela

como um oceano de couro.

Minha casa era chamada

a casa das flores, porque por todas as partes

brotavam gerânios: era uma bela casa

com cachorros e crianças.

Raul, lembra?

Lembra, Rafael?

Frederico, lembra?

Debaixo da terra,

lembram da minha casa com balcões

onde a luz de junho afogava flores em suas bocas?

Irmão, irmão!

Tudo

era burburinho de vozes, o sal das mercadorias

aglomeração de pão palpitante,

mercados de meu bairro de Arguelles com sua estátua

como um tinteiro pálido entre as merluzas:

o azeite chegava em colheres,

uma profunda palpitação

de pés e mãos enchia as ruas,

metros, litros, essência

aguda da vida,

pescados amontoados,

contextura dos tetos com sol frio no qual

a flecha se fatiga,

delirante marfim fino das batatas,

tomates se espalhando até o mar.

E numa manhã tudo estava ardendo,

e numa manhã fogueiras

saiam da terra

devorando seres,

e desde então fogo,

pólvora desde então,

e desde então sangue.

Bandido com aviões e mouros,

bandidos com anéis e duquesas,

bandidos com padres de preto abençoando-os

vinham pelos céus a matar crianças,

e pelas ruas o sangue de crianças

corria simplesmente, como sangue de crianças.

Chacais que os chacais rechaçariam,

pedras que o cardo seco morderia e cuspiria,

víboras que as próprias víboras odiariam!

Frente a vocês vi o sangue

de Espanha levantar-se

para afogá-los em uma só onda

de orgulho e de punhais!

Generais

traidores:

olhem minha casa morta,

olhem a Espanha dilacerada:

porém de cada casa morta sai metal ardendo,

em vez de flores,

porém de cada ferida da Espanha

desperta a Espanha,

porém de cada criança morta levanta-se um fuzil com olhos,

porém de cada crime nascem balas

que acharão um dia o vosso coração.

E me perguntam: por que os seus poemas

não falam dos sonhos, das folhas,

e dos grandes vulcões de seu país natal?

Venham ver o sangue pelas ruas,

venham ver

o sangue pelas ruas,

venham ver o sangue

pelas ruas!”

*****

I Explain a Few Things – Pablo Neruda

“You are going to ask: and where are the lilacs?
and the poppy-petalled metaphysics?
and the rain repeatedly spattering
its words and drilling them full
of apertures and birds?
I’ll tell you all the news.

I lived in a suburb,
a suburb of Madrid, with bells,
and clocks, and trees.

From there you could look out
over Castille’s dry face:
a leather ocean.
My house was called
the house of flowers, because in every cranny
geraniums burst: it was
a good-looking house
with its dogs and children.
Remember, Raul?
Eh, Rafel? Federico, do you remember
from under the ground
my balconies on which
the light of June drowned flowers in your mouth?
Brother, my brother!
Everything
loud with big voices, the salt of merchandises,
pile-ups of palpitating bread,
the stalls of my suburb of Arguelles with its statue
like a drained inkwell in a swirl of hake:
oil flowed into spoons,
a deep baying
of feet and hands swelled in the streets,
metres, litres, the sharp
measure of life,
stacked-up fish,
the texture of roofs with a cold sun in which
the weather vane falters,
the fine, frenzied ivory of potatoes,
wave on wave of tomatoes rolling down the sea.

And one morning all that was burning,
one morning the bonfires
leapt out of the earth
devouring human beings —
and from then on fire,
gunpowder from then on,
and from then on blood.
Bandits with planes and Moors,
bandits with finger-rings and duchesses,
bandits with black friars spattering blessings
came through the sky to kill children
and the blood of children ran through the streets
without fuss, like children’s blood.

Jackals that the jackals would despise,
stones that the dry thistle would bite on and spit out,
vipers that the vipers would abominate!

Face to face with you I have seen the blood
of Spain tower like a tide
to drown you in one wave
of pride and knives!

Treacherous
generals:
see my dead house,
look at broken Spain :
from every house burning metal flows
instead of flowers,
from every socket of Spain
Spain emerges
and from every dead child a rifle with eyes,
and from every crime bullets are born
which will one day find
the bull’s eye of your hearts.

And you’ll ask: why doesn’t his poetry
speak of dreams and leaves
and the great volcanoes of his native land?

Come and see the blood in the streets.
Come and see
The blood in the streets.
Come and see the blood
In the streets!”

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