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Abracos e Beijinhos!!! TOM JOBIM

“Eu vou fazer uma coisa que eu julgo positiva, que a minha música nåo é pra levar à droga, nem à violência, nem à motocicleta, nem nada disso. A minha música é pra levar o cidadão à Deus.. –
Mas certamente o que move é que têm essas músicas bonitas, né, que foram feitas e foram movidas pelo amor. Ninguém pensou em dinheiro e nada disso. A gente era pobre mesmo e fez essas músicas, porque eu gostava de uma garota, ou porque achava que o mar tava bonito, o céu. Então nós tínhamos outras razões pra viver. E depois, naturalmente que essa coisa foi tomada pelo povo brasileiro. Essas músicas também são músicas que nós acreditávamos locais. Quer dizer, quando eu fiz essas músicas eu achei que não ia sair de Ipanema, achei que isso ia chegar em Copacabana.
Qualis – Vocês não tinham pretensão de ‘vamos atingir São Paulo e as outras capitais’?
Tom – Não, nada disso. ‘Vamos atingir São Paulo’, essa conversa já me dá uma preguiça. ‘Vamos fazer os Estados Unidos’, ‘made in America’, ‘to make America’, isso me dá um cansaço invencível. Eu nunca teria ido aos Estados Unidos se o Itamaraty não tivesse me obrigado a ir aos Estados Unidos. E eu nunca teria tentado ir a América, uma coisa dificílima. Sair daqui depois de grande, sem falar inglês, tentar a vida, tentar o quê? Ser o quê? Sapateiro, pianista… As profissões são poucas, ditador, carteiro, soldado. O sábio declarou ao jornal que ainda falta muito para o mundo adquirir um nível razoável de cultura. Até lá felizmente estarei morto. Aí vai ter muito mais fumaça e tudo, né. De que adianta você pagar milhões de impostos e morar numa cidade que você não pode respirar? Que imposto é esse que você tá pagando? São as grandes cidades, né?… Mas porque essa obrigação de compor sempre? Eu nunca entendi isso bem. E as músicas inéditas, eu vou mantê-las inéditas pra que ninguém possa saber. Ninguém possa achar nada. Senão eles acabam pondo as músicas obscenas, os hinos do clube de futebol, acabam botando tudo, fazendo disco, você sabe. Os poemas eróticos do Drummond, por exemplo, eu não sei se ele gostaria… Não sei, duvido. E depois só se vê bem com o coração. O que acontece é que fica esse negócio de ‘Olha lá ele! Tá com uma barriga! A roupa…O chapéu tem uma aba curta!’ Não adianta. O robe de chambre do Wagner se era púrpura ou se era roxo. Fica exatamente o que não é, o que não interessa.”

87 anos – 87 years // 20 anos sem Tom Jobim – 20 years without Tom Jobim

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